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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

ADVOGADOS DEVEM CONSIDERAR O PODER DA IMAGEM EM SEU PLANO DE MARKETING

Em um cenário ideal, novos clientes batem às portas do escritório, impulsionados por recomendações. Ou porque já sabem, por observações próprias, que naquele escritório está o advogado que pode solucionar seus problemas. Mas, esse é um cenário que se leva tempo para construir.

Na verdade, é um cenário que se constrói mais rapidamente com o que se convencionou chamar de ferramentas de marketing. Existem diversas ferramentas disponíveis aos advogados, como desenvolvimento de relacionamentos, aparições na imprensa, perfomance em seminários e outros eventos, envolvimento com associações, participação comunitária e todos os outros já descritos pela ConJur.

Uma dessas ferramentas, que frequentemente os advogados não dão muita importância, porque não é facilmente mensurável, é a da criação da imagem. Um seminário, por exemplo, é uma ferramenta mensurável: gasta-se US$ 5 mil com divulgação e promoção do seminário, US$ 1 mil com aluguel do auditório, água, refrigerantes, biscoitos e cafezinho, 45 pessoas comparecem, 15 marcam reuniões, dez se tornam clientes e rendem US$ 25 mil ao escritório.

Porém a imagem do advogado, da equipe, do escritório e de seu modus operandi, mesmo sendo imensurável, é muito importante — a começar pelo fato que o futuro cliente, que chega ao escritório para uma reunião, não tem a menor qualificação para julgar os conhecimentos jurídicos ou a competência do advogado.

“Eles não sabem, realmente, se o advogado tem competência para resolver seus problemas jurídicos. Falta-lhes base racional para fazer a escolha do advogado certo para representá-los”, diz o consultor de marketing para escritórios de advocacia Mark Merenda.

Os advogados sempre terão ótimos argumentos para apresentar uma proposta de representação. “Mas eles precisam se dar conta que os futuros clientes ouvem com os olhos”, diz Merenda. Assim, eles acabam tomando decisões baseadas em emoções. E nada afeta mais as emoções do que as aparências — ou por impressões.

“A primeira coisa a considerar é isso: seu serviço, como alguns produtos, é invisível. Quando um produto é invisível, a embalagem se torna o produto. Todos os marqueteiros sabem a importância que as imagens na embalagem têm para o sucesso de um produto”, diz o consultor.

Ele dá dois exemplos. Recentemente, a fabricante de Tylenol para crianças teve de retirar o produto do mercado por causa da embalagem. A bula e a prescrição escrita na caixa do remédio informava os pais que a dose apropriada era um comprimido (80 mg de acetaminofeno). Porém, a imagem na embalagem mostrava uma criança tomando dois comprimidos (160 mg de acetaminofeno), levando os pais a dobrar a dose recomendada. Isso pode provocar danos ao fígado.

Um outro exemplo foi o de um teste realizado pelo prestigiado, nos EUA, café Folger’s Crystals. Em um restaurante chique de San Francisco, Califórnia, os garçons serviram o cafezinho, feito de uma marca de pior desempenho no mercado, em utensílios luxuosos e xícaras de louça fina e cara. Depois os entrevistadores perguntaram aos clientes o que eles acharam do café e as respostas foram, basicamente: “maravilhoso”.

“Conclusão: a imagem em sua embalagem é mais importante que sua mensagem”, diz o consultor. Esse fenômeno é chamado de “transferência de sensação” do pacote para o produto ou serviço. O poder das impressões é enorme, porque elas resultam de “evidências”colhidas pelos olhos. Em geral, elas geram conclusões instantâneas “baseadas em evidências” — para o melhor ou para o pior.

Por exemplo: se o advogado não comparece em uma reunião, sem remarcá-la antecipadamente e tem uma boa desculpa para isso, pode indicar para o cliente que ele poderá perder prazos no julgamento de sua causa e, depois, também ter uma boa desculpa para isso. Se o cliente percebe que o escritório é desorganizado, pensará que a defesa de sua causa poderá ter o mesmo problema.

“Se sua imagem for a de um advogado bem-sucedido, é isso que o cliente vai pensar de você. Se for de um advogado decadente, essa impressão não vai mudar tão facilmente”, diz o consultor.

Para ele, a imagem é importante em todas as instâncias. “Já foi comprovado que nos tribunais os réus com boa aparência — ou que causam uma boa impressão — tendem a pegar penas ou multas mais leves”, ele afirma. “Mesmo os jurados e o juiz ouvem com os olhos”, ele acredita.

Fonte: Conjur

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

ADVOGADOS EXPLICAM COMO GERIR PROFISSIONAIS EM BANCAS E DEPARTAMENTOS JURÍDICOS

Seis processos são fundamentais para a manutenção no escritório de advocacia dos profissionais que lá atuam. O primeiro é agregar pessoas, através do correto recrutamento, e na sequência vem a necessidade de aplicar, ou seja, identificar as atividades de cada profissional. A terceira etapa é recompensar os empregados, seja de forma emocional, seja pela via financeira. Posteriormente, aparece a necessidade de desenvolver os profissionais, com a definição cabendo a cada escritório. Por fim, chega o momento de criar condições para manter os profissionais no local, mesmo enfrentando a pressão e a cobrança, e de monitorar o resultado do processo.

A identificação dessas necessidades é um processo fundamental para a adequada gestão de pessoas no escritório, de acordo com Carlos Eduardo Cavalcante Ramos, sócio do Cavalcante Ramos Advogados. Ele explicou, durante a Fenalaw 2013, como ocorre a gestão de sua banca, classificando uma empresa — ou escritório — como fruto de três aspectos: infraestrutura, tecnologia e as pessoas que lá atuam, o que torna necessário seu desenvolvimento e aperfeiçoamento.

Uma das chaves para a diferenciação em um mercado tão concorrido, segundo ele, é o desenvolvimento de uma cultura própria, pois é possível copiar até mesmo uma petição, mas a cultura de cada local é única. Além disso, no momento em que o mundo vive a dissolução do conceito de cargo, com trabalho multidisciplinar, as pessoas ganham cada vez mais importância na organização jurídica, aponta o advogado, e seu talento continua sendo fundamental. O crescimento depende de um uso inteligente dos recursos humanos à disposição, continua Ramos.

Principalmente entre a nova geração, informa ele, a remuneração não é o único aspecto analisado no momento de decidir pela permanência ou não na banca. Além da qualidade de vida, outros aspectos que devem ser analisados diariamente pela direção do escritório são o reconhecimento e o desenvolvimento de competências jurídicas, fundamentais para os mais jovens, aponta o advogado, que cita também a impaciência que marca os novos advogados.

Para ele, como o talento é o grande diferencial, a seleção de novos talentos e a retenção destes profissionais deve ser o foco do escritório. Isso passa por um plano de carreira, pelo incentivo à capacitação constante e pela apresentação de novos desafios, que sirvam de estímulo para o advogado. No caso da remuneração, esta deve ser definida com base em metas claras e transparentes, baseada na meritocracia e na capacidade de atingir resultados, diz ele.

Carlos Eduardo Cavalcante Ramos concluiu sua palestra lembrando que a Lei 12.846, que responsabilizada pessoas jurídicas por crimes de corrupção, também deve ser levada em conta. Isso ocorre porque o aumento da governança e a necessidade de compliance implicarão em maior preocupação com terceirizados, o que inclui os advogados. Assim, todos os atos praticados dentro do escritório contratado serão importantes para a companhia que contrata a banca.

Departamento Jurídico

A situação é diferente no mundo dos departamentos jurídicos de empresas. Responsável por palestra sobre o mesmo cenário neste ambiente, Luciano Dequech, diretor jurídico da Odebrecht Agroindustrial, lembrou que a maior parte dos integrantes de departamentos já passou, em algum momento da carreira, por um escritório. A grande diferença é que o funcionário de empresa atua como gestor jurídico, com papel diferente do advogado.

Isso ocorre porque o gestor precisa estar conectado à direção da empresa, fazendo com que um grande advogado de escritório não seja, necessariamente, brilhante se passar a atuar em empresa, afirma ele. Uma figura fundamental no departamento jurídico é o diretor, responsável pela condução do novo advogado por todos os aspectos da vida empresarial que devem ser compreendidos, continua Dequech. Ele deve atuar como um educador, apresentando a seus comandados a realidade da atuação em uma empresa e mantendo a equipe coesa e unida, de acordo com o diretor da Odebrecht Agroindustrial.

Ele acredita que o departamento jurídico permite, na maioria dos casos, a conciliação da vida profissional e da pessoal, ainda que algumas demandas necessitem de turnos maiores. Outra diferença visível entre o mundo do escritório e as empresas é a necessidade que os advogados de banca têm de especialização, consequência da concorrência cada vez maior e do aumento na quantidade de escritórios, informa ele.

Citando o exemplo da empresa em que trabalha, Dequech diz que os profissionais são incentivados a atuar em ao menos uma área distinta daquela em que é especialista. Isso gera, para ele, estímulo ao aprendizado e aquele “frio na barriga” que é consequência dos desafios. Em relação à remuneração, o diretor da Odebrecht Agroindustrial afirma que a base salarial é definida levando em conta a média do mercado, com Participação nos Lucros e Resultados, benefícios trabalhistas e alguns ganhos não materiais, como o reconhecimento e a oportunidade de promoção.

Fonte: Conjur

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

FORMAR EMPREENDEDORES É SAÍDA ADOTADA POR FACULDADES DE DIREITO NOS EUA

No momento, um mal que está corroendo o prestígio das faculdades de Direito americanas é a quantidade de bacharéis que, em um período de nove meses após a formatura, não conseguem empregos. A causa do problema já foi diagnosticada há tempos: as escolas preparam mais "candidatos a emprego" do que o mercado de trabalho pode absorver. Um remédio indicado para curar o mal que aflige os bacharéis e as faculdades é formar advogados empreendedores, em vez de "candidatos a desemprego".

Muitas faculdades estão se empenhando seriamente para virar esse jogo. No lugar de algumas "clínicas" rápidas, que algumas faculdades ofereciam até agora, muitas delas decidiram oferecer disciplinas emprestadas do currículo das escolas de negócios ou de Administração. Em algumas escolas, os estudantes de Direito já podem fazer cursos de Finanças, Contabilidade, Administração, liderança e empreendedorismo.

Cursos de marketing e vendas também podem ser uma opção: nenhum profissional pode se sair bem se não souber promover ou "vender" seu trabalho, sua marca, seu nome ou sua firma. Competência profissional não é, definitivamente, o único requisito básico para o sucesso.

No entanto, a função maior dos cursos de negócios, entremeados nos cursos de Direito, é produzir bacharéis com mentalidade empresarial. "Nós vemos o empreendedorismo como uma forma de mentalidade, disse ao The National Law Journal o professor Brad Berntal, da Faculdade de Direito da Universidade do Colorado, uma das primeiras nos EUA a enfrentar o problema. "Para iniciar uma empresa, não é um fator indispensável ser um empresário. Mas uma mentalidade empreendedora é fundamental", ele afirma.

A ideia essencial é que os bacharéis deixem a faculdade com o mesmo espírito dos estudantes de negócios ou de Administração. Eles querem abrir seus próprios negócios e não se tornarem candidatos a emprego no mercado e se dedicar a disputar, a duras penas, as poucas vagas em oferta. Um emprego em uma banca bem-sucedida às vezes ajuda, mas só para ver como ela toca os seus negócios e aprender mais.

A formação de uma mentalidade empreendedora — que, por sinal, é um atributo que se desenvolve, não um dom de nascença — também pode ajudar muito os profissionais que pretendem se dedicar à advocacia empresarial.

A explicação é simples, disse ao jornal o diretor do Programa Zell de Empreendedorismo e Advocacia (ZEAL) da Faculdade de Direito da Universidade de Michigan. "Tradicionalmente, os advogados veem riscos como algo a ser eliminado ou minimizado. Essa abordagem não funciona no mundo dos negócios, principalmente entre os novos empreendimentos, onde a grande recompensa requer coragem de assumir riscos". Assim, um dos objetivos maiores é ensinar os estudantes de Direito a pensar sobre os riscos da mesma forma que os empresários o fazem.

Todos os cursos de negócios nos EUA ensinam que um dos requisitos básicos para se abrir uma empresa é contratar, imediatamente, um contador e um advogado. Mas há um temor generalizado de se discutir novos negócios com advogados. Já se sabe, desde logo, que eles vão apontar, basicamente, problemas. Pode ser desestimulante. Por isso, os advogados precisam encontrar um ponto de equilíbrio e mesmo aprender a discutir negócios com os empresários.

"Os advogados precisam deixar de ser máquinas mortíferas de ataques a negócios", diz o diretor.

Para ajudar nesse quesito, as faculdades estão colocando os estudantes de Direito para trabalhar com estudantes da escola de negócios ou de Administração, bem como com novos empreendedores de suas respectivas cidades, que querem abrir uma empresa. A ideia é transmitir uma visão jurídico-empresarial aos estudantes de negócios e empreendedores sobre os pontos de contato da lei com o empreendimento, como constituição da empresa, registro de marcas comerciais, contratos etc.

Os estudantes de Direito podem, em contrapartida, aprender como eles pensam, como falam, como se comportam, como veem o empreendimento e como fazem as coisas. Podem ainda conhecer suas expectativas e aprender como abordar possíveis problemas jurídicos de uma forma mais estimulante. E a estabelecer prioridades para questões jurídicas. Os estudantes formam relacionamentos e futuros clientes.

Por isso, esse aprendizado é extremamente útil para advogados que se preparam para abrir sua própria firma ou para fazer carreira solo. Mas também ajuda muito os futuros profissionais que pretendem buscar emprego em assessorias jurídicas de empresas ou de qualquer associação não governamental: eles estarão mais preparados para discutir com os empresários os negócios da empresa. Ou com os dirigentes de entidades, os seus empreendimentos.

"A reclamação clássica dos bacharéis em Direito sempre foi não entender nada de negócios. Mas isso está mudando", disse o diretor da ZEAL. A Faculdade de Direito de Michigan oferece, agora, 28 cursos de negócios, muitos dos quais envolvem simulações e treinamento prático de negociações. Um curso, para o qual a faculdade pretendia atrair 25 estudantes, recebeu 167 inscrições.

A prestigiosa Faculdade de Direito de Harvard começou a oferecer capital inicial para bacharéis que lançarem empreendimentos destinados a melhorar a sociedade.

Uma situação inesperada é que alguns estudantes se desgarram do curso de Direito para se enveredar nos negócios ou no sistema financeiro. Em Michigan, um estudante de Direito e um estudante de negócios se juntaram para lançar um bem-sucedido portal, do tipo mídia social, focado em casamentos. No Colorado, um estudante criou uma plataforma de blog para viajantes, que terminou comprado pela AOL.

Fonte: Conjur

terça-feira, 24 de setembro de 2013

BANCAS JURÍDICAS INVESTEM NO MARKETING COMO FERRAMENTE DE COMPETIÇÃO

Em um mercado exigente e competitivo, a adoção de medidas de marketing e comunicação pode ser o diferencial. Esse entendimento é cada vez mais forte entre os escritórios de advocacia que, respeitando as restrições impostas pela Ordem dos Advogados do Brasil, estão adotando estratégias mais arrojadas. As informações são do Diário Comércio Indústria & Serviços.

O Salusse Marangoni Advogados utiliza seu departamento de comunicação para promover e participar de eventos esportivos e culturais. Segundo o sócio Eduardo Salusse, os eventos tradicionais são mais caros e acabam se mostrando desinteressantes para os clientes. Muitos dos presentes se sentiam obrigados a ir e não interagiam com os demais convidados.

O gasto anual com eventos culturais e esportivos fica entre 0,8% e 1% do faturamento e, afirma Salusse, os convidados sentem maior prazer, pois se trata de uma atividade fora do ambiente corporativo. Entre 2011 e 2013, continua ele, os investimentos em ações semelhantes dobraram, enquanto a presença de público triplicou. O objetivo, de acordo com o sócio, é reforçar o nome do escritório e a associação da marca a situações positivas.

O Marcelo Tostes Advogados possui um departamento próprio, com profissionais especializados em marketing. Para Nathália Oliveira, responsável pela área, antes da criação desta, não havia efetividade na comunicação interna e com as filiais. Agora, todo o material é padronizado e é mais fácil manter o padrão de qualidade.

O marketing também é responsável por eventos como coquetéis, cafés da manhã e participação em feiras e palestras, que aumentam a visibilidade e são bem aceitos por potenciais clientes, afirma Nathália. Sócia do escritório, Ana Paula Gomes informa que o departamento de marketing substituiu a atuação intuitiva dos próprios advogados, gerando resultados de forma mais efetiva.

Alexandre Motta, consultor da Inrise Consultoria, especializada em marketing jurídico, aponta que um bom trabalho de fortalecimento da imagem corporativa pode gerar aumento de até 20% no faturamento. Entre os itens que ele classifica como fundamentais para qualquer escritório, estão a criação de um logotipo, um site, folders digitais e impressos e um boletim.

O consultor de marketing jurídico Eduardo Ferreira afirma que novos escritórios devem investir mais nos primeiros anos, para se destacar. Lembrando que a utilização do marketing como ferramenta é mais comum nos Estados Unidos, ele cita como fundamental a participação em eventos como Análise 500 e Latin Lawyer.

Fonte: Conjur

terça-feira, 27 de agosto de 2013

MERCADO JURÍDICO SE EXPANDE E PEDE POR ADVOGADOS QUE ENTENDAM DE GESTÃO

O Brasil gera cerca de 100 mil vagas de trabalho por mês. E cerca de 7% das vagas em aberto são direcionadas ao mercado jurídico, segundo a Santivo Consultoria, que contabilizou posições de advogado e de cargos destinados a bacharéis sem inscrição na OAB. No outro extremo, até 2014, o número de advogados com OAB será de 1 milhão, sem contar os bacharéis, cujo número é muito maior. O funil é a prova de que o mercado jurídico brasileiro passa por uma intensa profissionalização.

A grande procura por profissionais qualificados e talentosos força as bancas a oferecer melhores salários e pacotes de benefício para atrair o interesse dos candidatos. Pesquisa do Fórum de Departamentos Jurídicos aponta que o que mais desestimula os profissionais de escritórios e departamentos é a falta de atrativos na remuneração e nos benefícios.

A advogada Marcia Bicudo, especialista em Direito Empresarial da Mobidomo Consultoria, afirma que há mercado para todos esses profissionais. “A área do Direito é uma das que oferecem maiores oportunidades de carreira, ainda que não seja diretamente ligada à técnica jurídica”, diz.

Nesse cenário, as áreas mais demandadas são Societário, Tributário, Compliance, Imobiliário, Infraestrutura, Mercado de Capitais e Trabalhista.

Gestão legal

Mas o cenário promissor esbarra na falta de profissionalização da gestão das bancas. Segundo Márcia, conceitos simples de planejamento, orçamento, fluxo de caixa e fundo de reserva são desconhecidos para a grande maioria dos profissionais recém-formados e que não possuem uma experiência corporativa. O fato é comprovado pela presidente da Comissão de Advogados de São Paulo, Clemencia Wolthers, que afirma que muitos advogados recém-formados tentam formar sociedades, mas nem sempre conseguem mantê-las por imaturidade. Segundo ela, em média, 60 sociedades são constituídas por mês em São Paulo.

Desmistificar e adaptar os conceitos da gestão legal como estratégia de valor é o desafio de mudança desse modelo. “Não basta só conhecer profundamente a operação, a cultura e o planejamento do cliente. Esse conhecimento deve gerar informação relevante a ser tratada não só de forma qualitativa, mas também quantitativa e plenamente mensurável”, afirma Márcia.

Segundo ela, para o cliente é mais importante gerenciar e medir diariamente os riscos da sua atividade para controlar o impacto nos seus resultados e na sua imagem do que o trabalho técnico visando ganhar causas. Os clientes querem, ela afirma, que os sócios dos escritórios tornem-se empreendedores da advocacia e sejam hábeis nos aspectos gerenciais, já que o escritório é uma organização empreendedora como qualquer outra. 

Por isso, é importante a participação de gestores, que atuam de foram estratégica e dirigida aos resultados da organização. A atuação desses gestores é mais agressiva e direcionada a um foco planejado e diretamente ligada à conquista de resultados fora do ambiente corporativo interno. As estratégias gerenciais diminuem preocupações objetivas (tempo, dinheiro e desvio de foco) e subjetivas (imagem, perda de mercado) que atrapalham a execução dos trabalhos contratados.

Márcia reforça a necessidade de o advogado estar preparado e orientado fora do aspecto técnico. "O advogado precisa de toda uma estrutura de conhecimento adaptada à realidade jurídica para que possa separar do dia a dia a atividade puramente técnica e uma atividade de gestão de negócios, já que o advogado é, antes de mais nada, um empresário."

Os departamentos jurídicos são um exemplo. Eles têm diminuído de tamanho e terceirizado o trabalho técnico, tornando seus advogados internos mais conhecedores do negócio da empresa. O administrador jurídico Rogério Antônio Rafael entende que a terceirização ocorre pela necessidade de destacar as funções que demandam conhecimento técnico das mais administrativas. "A segmentação das funções jurídicas e não jurídicas de um escritório permite que o gestor jurídico tenha uma visão mais ampla do negócio e consiga manter a qualidade técnica na elaboração dos processos", explica.

Fonte: Conjur

terça-feira, 18 de junho de 2013

ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA CONFIAM EM SEGURADORAS PARA MINIMIZAR PREJUÍZOS POR ERROS

A advocacia brasileira está cada vez mais segura. Contratadas por escritórios, seguradoras garantem que erros ou omissões de advogados, quando causam danos ao cliente, não os causem também às bancas — uma proteção contra a também recente prática de representados insatisfeitos cobrarem de seus representantes o preço de derrotas judiciais.

A grande característica desse mercado é o sigilo. Dificilmente um escritório revela a posse das apólices. É fácil entender: divulgar que há uma empresa financeira bancando suas causas judiciais é um convite a ser processado e afasta qualquer candidata a seguradora. Mas é sabido que grandes empresas multinacionais começam a exigir das bancas que as representam que contratem esse tipo de seguro. Pretendem com isso garantir que, de alguma forma, serão ressarcidas por erros de seus advogados.

No jargão do mercado, essa modalidade de proteção se chama seguro de responsabilidade civil profissional, ou seguro RC profissional, como as corretoras gostam de chamar. São formas de garantir que erros ou omissões de profissionais liberais, como advogados, médicos, consultores ou jornalistas, quando causam danos a terceiros, não resultem em inviabilização do negócio devido a condenações judiciais.

É um mercado em crescimento. Em dez anos, o valor do prêmio anual, que é o quanto as seguradoras arrecadaram, cresceu quase R$ 100 milhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Ministério da Fazenda. Foi um crescimento de quase 400% entre 2003 e 2012. O maior salto aconteceu entre 2011 e 2012, quando o prêmio anual do seguro RC saltou de R$ 100 milhões por ano para R$ 144 milhões.

Nos mesmos dez anos, o valor dos sinistros, que é quanto as seguradoras desembolsaram, subiu de R$ 567 mil para R$ 49 milhões. Mas houve um movimento interessante: de 2011 para 2012, a quantidade de sinistros caiu 37,5%, mas o valor dos sinistros aumentou 44%, de R$ 34 milhões para R$ 49 milhões.

Os números levam em conta o mercado inteiro, no qual as principais contas são de hospitais. Nesses casos, os seguros são coletivos para médicos, enfermeiros, assistentes e técnicos. O mais recente desenvolvimento desse mercado no Brasil foram os seguros RC para jornalistas e empresas de jornalismo, aí incluídos os profissionais que têm veículos próprios, como Paulo Henrique Amorim e o seu blog Conversa Afiada. No caso de escritórios de advocacia, segundo advogados que falaram à reportagem da revista Consultor Jurídico sob a condição de não serem identificados, os valores dos prêmios costumam ser menores. O valor das coberturas vai de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, sempre para escritórios grandes.

Erros e omissões
O que chama a atenção nos seguros de responsabilidade civil para escritórios é o alcance dos contratos e a que os advogados estão sujeitos simplesmente por atuar em casos judiciais. “Se as pessoas soubessem o risco que correm apenas pela atividade que desempenham, todos teriam um seguro RC”, diz uma corretora.

Um exemplo clássico é a perda de prazos. O normal é que o cliente culpe o profissional pela derrota judicial devido à perda do prazo, sem especificar qual foi o dano que efetivamente foi causado pelo cochilo do advogado, e cobre dele o valor cheio da causa. O papel da seguradora, nesses casos, é demonstrar quais as chances a empresa teria de sair vencedora naquele caso específico, e quanto o advogado seria responsável por economizar, caso atentasse para o prazo.

É um verdadeiro trabalho de análise de jurisprudência, que muitas vezes resulta em discussões. E aí entra a coqueluche dos contratos modernos: a cláusula arbitral. Como a publicidade da discussão não interessa a nenhum dos envolvidos, os conflitos são resolvidos em arbitragens sigilosas. A seguradora, portanto, vai provar que seu segurado teve culpa só por parte do prejuízo, e não pelo valor inteiro da causa.

Houve um caso de ação por dano moral em que o advogado faltou à audiência de instrução. Ficou arbitrado que o valor da causa seria de 200 salários mínimos, mas a jurisprudência para casos daquele tipo era que a indenização ficasse em dez salários. Como o representado do advogado ausente perdeu a discussão, foi cobrar de seu representante os 200 salários. Coube à seguradora dizer que o prejuízo foi de 190 salários, e não de 200. O entendimento fixado ali foi o de que, pela jurisprudência, dificilmente a parte perdedora ganharia e, portanto, os dez salários poderiam ser considerados já perdidos. Qualquer coisa abaixo disso seria uma vitória do advogado.

Pesquisa de mercado

A cobertura para escritórios também é um pouco diferente do seguro RC “normal”. Exige que o corretor conheça profundamente o negócio de seus clientes e dos clientes de seus clientes. A maior seguradora que oferece esse serviço é a Ace Seguros. Em seu questionário de avaliação, a empresa se preocupa com o tamanho do escritório que está prestes a segurar e ao histórico de processos e reclamações sofridas por seus advogados e sócios.

Perguntam, por exemplo, quantos clientes o escritório tem, qual o faturamento dos últimos 12 meses e qual a perspectiva para os próximos 12 meses. Procuram saber quem são os maiores clientes e qual o valor dos contratos. Pedem que a banca especifique as áreas de atuação e quanto cada segmento representa dentro de seu faturamento.

Outra importante preocupação é quanto ao histórico do escritório e de seus sócios nos tribunais. Há perguntas, com exigência de detalhes, a respeito de reclamações que os advogados da banca já sofreram por causa de erros e omissões: quais foram essas reclamações, quais foram os erros, quando aconteceram, quanto custaram, quem pagou, se já transitaram em julgado ou se ainda tramitam.

Tudo isso, claro, vai influenciar no valor que o escritório quer que a seguradora garanta e em quanto isso vai custar ao escritório. Corretores relutam em falar em preços. Dizem que “depende, porque cada empresa é de um jeito e tem o seu modelo de negócio diferente”. De fato, os relatos colhidos pela reportagem da ConJur contam casos muito discrepantes. Há desde escritórios enormes a bancas de um sócio que pegam casos muito grandes pela primeira vez. O denominador comum é a busca de garantias para que erros e omissões não custem a integridade financeira da atividade e dos negócios.

Fonte: Conjur

quinta-feira, 23 de maio de 2013

CURSOS DE GESTÃO DE ESCRITÓRIOS FAZEM SUCESSO EM FACULDADES DOS ESTADOS UNIDOS

Um novo bando de estudantes começa a voltar às faculdades de Direito, nos EUA. São advogados atuantes, tarimbados na profissão, mas sem formação empresarial para gerir seus escritórios. Agora eles estão em busca de um novo curso que as faculdades começaram a oferecer exatamente para eles: educação executiva. Os cursos foram projetados para ajudar advogados a desenvolver as artes da liderança e da administração e, obviamente, a qualificação empresarial, segundo o The National Law Journal.

Tudo começou em 2007, quando a atual ministra da Suprema Corte dos EUA Elena Kagan era reitora da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, em Massachusetts. Ela foi buscar um dos melhores professores da Escola de Negócios de Harvard, Ashish Nanda, para liderar o novo programa da Faculdade de Direito, inteiramente separado dos programas de educação continuada, que são obrigatórios para os advogados americanos que querem manter suas licenças para atuar.

A educação continuada qualifica ainda mais os advogados para atuar em sua profissão, ao se focar no Direito Positivo, mas não para a gestão de escritórios. Os cursos visam exatamente corrigir essa falha na formação dos advogados, que não podem se associar com profissionais de outras áreas para desenvolver os negócios de suas firmas. E, por isso, têm de cuidar eles mesmos de um empreendimento para o qual não estão preparados.

Alguns anos depois da iniciativa de Harvard, a Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown, de Washington D.C., concluiu que a ideia era muito boa. Pelo menos 280 advogados frequentam os cursos da Harvard, todos os anos, e a faculdade já começou a ter lucro com eles. A maioria dos alunos se inscreve nos cursos por recomendação de seus colegas de profissão. A faculdade de Georgetown começou, portanto, a desenvolver um projeto semelhante. No ano passado, seu programa de educação executiva foi iniciado com a participação de 200 alunos.

No rastro das duas, surgiu a Faculdade de Direito da unidade em Irvine da poderosa Universidade da Califórnia (UC). Os planos da UC-Irvine enveredam por um caminho um pouco diferente, para o curso principal. Ela pretende oferecer, a partir de 2014, educação executiva para assessores jurídicos — ou advogados corporativos — de empresas, ou para preparar advogados que pretendam exercer essas funções.

O programa terá cursos de seis semanas, em períodos de férias principalmente, dedicados à qualificação empresarial e a outras matérias, como propriedade intelectual. Será uma alternativa "aprofundada" aos cursos de alguns dias que a faculdade já oferece a advogados corporativos. Os alunos podem se inscrever em quantos módulos de cinco dias quiserem. E os que fizerem pelo menos três módulos receberão um certificado.

As faculdades de Direito de Harvard e de Georgetown focam principalmente cursos de liderança e qualificação empresarial, mas com abordagens diferentes. Harvard oferece, por exemplo, uma sessão de cinco dias de treinamento em liderança para sócios bem posicionados de bancas. E uma sessão separada, de uma semana, para sócios de escritórios que podem assumir, em breve, responsabilidades administrativas. E também um curso de liderança, de três dias, para advogados corporativos.

O programa de liderança da Faculdade de Direito de Georgetown oferece duas sessões de três dias, separadas em quatro meses. Ao final da primeira sessão de três dias, cada participante do curso tem uma entrevista particular com um instrutor, quando recebe uma tarefa: trabalhar em um projeto específico antes de voltar ao campus universitário para ter seu esforço avaliado. A faculdade oferece um programa de introdução à liderança, de dois dias, para advogados que estão em "nível médio" nesse mister.

As duas faculdades também oferecem programas de educação executiva exclusivos para advogados de uma mesma banca. A Milbank, Tweed, Hadley & McCloy foi a primeira a formar uma turma de advogados, com posições intermediárias na banca, para participar de sessões de treinamento em Harvard.

Os custos variam de US$ 2,5 mil a US$ 15 mil, dependendo de vários fatores. Mas o maior problema para os advogados não tem sido esse. É arrumar tempo. Cursos noturnos não são uma prática comum nos EUA. Por falar em dinheiro, os responsáveis pelos cursos de Harvard e Georgetown, antes de pensar em lucros, as faculdades têm de pensar em qualidade de ensino. O lucro virá como consequência, porque a demanda existe.

Fonte: Conjur

segunda-feira, 8 de abril de 2013

PROFISSIONAIS DO BRASIL E DOS EUA DISCUTEM GESTÃO DA ATIVIDADE JURÍDICA

Durante a terceira edição do Encontro Nacional da Procuradoria-Geral do Banco Central (PGBC) e Seminário Internacional em Gestão Legal, profissionais do Brasil e dos Estados Unidos apresentaram temas voltados para gestão da atividade jurídica, com base em experiências de empresas privadas do Brasil e do exterior.

No primeiro dia de evento, na última quinta-feira (4/3), em Brasília, foram discutidas questões sobre a cultura americana da gestão no âmbito jurídico e a uniformidade dos procedimentos nas atividades jurídicas entre as organizações dentro das rotinas e competências de trabalho.

Sobre o primeiro tema, estiveram presentes na mesa o Procurador-Chefe da Procuradoria-Regional do BCB em São Paulo e mediador do debate César Cardoso, Luci Hamilton diretora de administração e finanças do escritório Karlin & Peebles, da Califórnia, e membro da Association of Legal Administrator (ALA) e Emily Schaub, administradora do escritório Valensi Rose, também na Califórnia.

Luci Hamilton apresentou a história da gestão legal nos escritórios de advocacia americana, que começou em 1971. Ela explicou que a ALA foi fundada após observar a necessidade de aprimorar os processos jurídicos, pois foi detectado que os advogados vinham acumulando mais atividades do que demandava sua competência e que existia, dentro do departamento, serviços que poderiam ser feitos por outras pessoas. 

Emily Schaub relatou que o gestor legal não apenas advoga, mas é responsável por diversas tarefas que, se delegadas aos advogados, poderiam onerar ainda mais seu tempo. Segundo ela, nesse âmbito, os analistas e técnicos são os que mais auxiliam os trabalhos dos advogados, permitindo assim, o desenvolvimento de habilidades, auxiliando o Estado e promovendo o equilíbrio e identificando as necessidades.

Sobre a uniformidade dos procedimentos nas atividades jurídicas participaram do debate, o gerente de Controles Jurídicos e Registros Financeiros da PGBC, Leonardo Campos Coutinho, o diretor financeiro do escritório Décio Freire & Associados Rodrigo Freire, e a diretora de administração do escritório Kelley Drye & Warren, na Califórnia/EUA, Jean Jewelll.

O procurador do BC Leonardo Campos afirmou esperar que gestão legal minimize o trabalho de rotinas administrativas dos procuradores que em sua maioria não são de sua competência. Em sua fala, Rodrigo Freire defendeu a criação de procedimentos, objetivos, metas e ações que garantam o alcance dessa identidade, focando, principalmente, no controle constante que irá manter esse funcionamento.

A diretora administrativa do escritório Kelley Drye & Warren exaltou os debates no encontro, pois segundo ela, ouvindo as experiências anteriores, ela pôde verificar que as estruturas organizacionais tanto do Brasil como dos EUA são muito parecidas e que a valorização de equipe está presente. 

Com informações da Assessoria de Imprensa da AGU.

Fonte: Conjur

sexta-feira, 29 de junho de 2012

ENTREVISTA COM OS FUNDADORES DO MACHADO, MEYER, SENDACZ E OPICE


O Conjur, publicou no último dia 17 de junho, uma entrevista com os três sócios fundadores de uma das maiores bancas do pais, o Machado, Meyer, Sedacz e Opice. Digo três porque o sócio Ernani Machado, faleceu em 2009.

Na entrevista eles relatam as transformações pelas quais o escritório teve de passar, do ponto de vista da gestão, além de abordarem temas como divisão de honorários, estrutura organizacional, etc.

Pra quem gosta de empreendedorismo jurídico, esta entrevista é uma bela apostila.

Não deixem de ler, basta clicar aqui.

Abraços e até a próxima.